Soluções inteligentes podem ser simples. Bora simplificar?

Olá pessoal! O papo de hoje é sobre simplificação na solução de problemas. Em tempos de recursos escassos, soluções simples são bem vidas. Conto com a tua colaboração nos comentários. Curta a leitura. Grande abraço.



No dia 14/05 postei no meu blog um texto sobre EDUCAÇÃO em tempos de crise. Quero seguir no tema, mas sob outro enfoque. A situação problema: acesso remoto de qualidade às aulas em tempo de crise, principalmente para alunos da rede pública de ensino no Brasil.


Primeiramente, gostaria de ilustrar o texto de hoje com minha experiência profissional como em fábricas, como gestor e consultor. O dilema básico na engenharia de produção é CAPACIDADE x DEMANDA. Caso 1: quando há sobra de capacidade, se a produção não parar, estoques são formados. Isso não é bom. Caso 2: quando falta capacidade, pedidos não são entregues e vendas são perdidas. Isso é péssimo. Pois bem. Analisemos o Caso 2. Três ações básicas de melhoria tradicionalmente são tomadas. Óbvio que essas ações dependem de quanto tempo e dinheiro dispomos para implementarmos a mudança. Trata-se de uma simplificação que ilustra o debate sobre educação neste post.

Primeira: aumento de horas extras ou criação de turno extra, caso ainda não haja - teremos assim, mais capacidade. Esta opção é simples, mas aumenta as despesas da fábrica. Trata-se de senso comum.

Segunda: investimento em equipamentos e ampliação da fábrica. Essa providência exige grana, tempo. No médio e longo prazo irá aumentar a capacidade. Alguns adoram este caminho, possuem recursos e não querem “perder tempo” com análises mais profundas das causas raízes dos problemas. Aqui, corre-se o risco de comprar equipamentos desnecessariamente, sem análise sistêmica do contexto.

Terceira: análise crítica dos processos em andamento, estudo da produtividade instalada e implementação de mudanças contínuas na busca de melhores resultados. Essa mudança também exige certo tempo, mas resgata algo historicamente perdido, a produtividade no trabalho. Esta terceira via requer reflexão, análise histórica, assunção de problemas e responsabilidades. Requer revisão de modelos mentais, requer aprendizado com significado, o chamado aprendizado de duplo loop. Por esse motivo, é o caminho mais doloroso, mas o que certamente provocará resultados mais duradouros.


Vamos ao ponto que proponho discutirmos. Alunos das escolas privadas têm conseguido assistir aulas a distância via internet em plataformas específicas. O problema está na falta de acesso à internet e ausência de aulas a distância para alunos de escolas públicas.

Fazendo analogia com a produção, falta capacidade para atender o ensino a distância. A pergunta é: como resolver isso com menor prejuízo possível à sociedade?

A necessidade (demanda) atual é: entrega de ensino a distância de qualidade suficiente para minimizar as perdas advindas da crise.


Bem, alguns argumentam que devemos investir pesado em infraestrutura e tecnologia para prover soluções e equipamentos para inserção daqueles até então excluídos digitalmente. Essa opção demandará tempo, processos técnicos e burocráticos intermináveis e muito bla, bla, bla. Mas, por que não nos sensibilizamos antes com essa condição e não investimos em educação realmente? A velha máxima da gestão é: quem não planeja, está planejando errar. Cá estamos nós.


Numa segunda hipótese, seria possível simplificar? Por que não adotamos massivamente aulas pela televisão em canais abertos? Assim, minimizaríamos os prejuízos e daríamos acesso a conteúdo para a maioria da população brasileira. Sem bla, bla, bla. Sabiam que 1 em cada 4 brasileiro não tem acesso a internet? Mas, apenas 2,8% dos lares brasileiros não têm televisão, segundo IBGE 2018. Vejam matéria de 09 de abril de 2020 do G1 no link abaixo. Apenas Maranhão e Paraná utilizaram esse expediente. Em Portugal, usaram a televisão amplamente durante a pandemia (conforme link a seguir).


Aí eu me pergunto. Em quem estamos pensando durante essa crise? Que problema nos interessa? Aulas pela TV seria uma alternativa aberta, simples, democrática, de fácil acesso. Há tanto lixo sendo veiculado na televisão aberta. Tenho certeza de que faria um bem danado aos desassistidos pela educação. Contudo, insistimos no tecnicismo, na burocracia, na complicação, nas negociações e projetos milagrosos de última hora. Enquanto isso, o salário ó! Fala sério. Quem sabe, simplifica. Quem sabe, se responsabiliza. Falta TBC (tirar a bunda da cadeira) e agir com pertinência, com senso de responsabilidade, com ética, com simplicidade.


Meus amigos, e a terceira alternativa (conforme cito acima) do dilema capacidade x demanda? Quando haverá dignidade e vontade para analisarmos profundamente o nível de eficiência Brasil? Haja mudança de modelo mental, né?

Dica: se a solução está complicada e cara demais, repense. Peça ajuda. Estude melhor. Soluções inteligentes podem ser simples. Que vençamos juntos a corrida do saco.

Vamos em frente.


Para reflexão: lembre-se de que ideias simples normalmente são baratas, não mobilizam uma pesada cadeia econômica, podem ser facilmente copiadas e resolvem realmente e rapidamente os problemas. Enquanto isso, soluções rebuscadas e caras fazem o efeito multiplicador da economia acontecer.

Fiquem bem. Até o próximo post.


https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/04/09/estados-adotam-plataformas-online-e-aulas-na-tv-aberta-para-levar-conteudo-a-estudantes-em-meio-a-pandemia-de-coronavirus.ghtml

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-04/um-em-cada-quatro-brasileiros-nao-tem-acesso-internet


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