Precisamos enxengar melhor!

Hoje, dia 21 de maio de 2020, em pleno pico da pandemia no Brasil confesso que me sinto inseguro em relação a alguns assuntos. A questão de hoje é: qual medicamento funciona(ria) ou não para o tratamento da COVID-19?



Não sou profissional da área da saúde. Sou pesquisador de ciências sociais aplicadas e entendo do método científico para pesquisas. Em quem podemos confiar sobre esse assunto? Desçamos dos palanques. Agora sim.

É no mínimo curioso que no ano de 2020 enquanto falamos em inteligência artificial, em indústria 4.0, viagem à Marte, computação quântica e tudo mais que se possa imaginar de fantástico, não conseguimos chegar a um consenso razoável, ético, honesto e VERDADEIRO sobre o uso de uma possível droga para mitigar os efeitos terríveis de uma pandemia. Será necessário chamar o Chapolin Colorado? Não é possível. Realmente, não é possível. Mas não, temos que politizar e discutir o assunto no palanque. Aí ouço: "sou contra tal droga porque fulano é a favor", e vice-versa. Enquanto isso, os resultados negativos da pandemia só aumentam. Esse comportamento beira a estupidez, a burrice humana. O momento é de nos darmos as mãos. Uma sociedade só é bem sucedida se há cooperação e principalmente CONFIANÇA. Confiança é a cola social. É o que nos faz acreditar uns nos outros sem que tenhamos que assinar um contrato formal. Que tal se tivéssemos informações relevantes e mais assertivas em relação a situação atual? Decisões melhores poderiam ser tomadas sem tanto prejuízo à sociedade. A crise de confiança abala não apenas a imagem de pessoas, mas também das instituições, que deveriam se posicionar a respeito e não o fazem.

Lembremos que a ciência contribui para o esclarecimento humano através da busca de conhecimento baseado em práticas sistemáticas. O que interessa é o conhecimento como crença verdadeira e justificada. No caso da cloroquina e de qualquer outro medicamento, nos interessa a verdade e nada mais. É pressuposto da teoria da ciência que: “quando alguém está enganado e acredita no que é falso, então falta-lhe o conhecimento”. Assim, apenas crenças não são suficientes para termos conhecimento. Apenas discursos bem elaborados não são suficientes, independentemente do posicionamento político do interlocutor.

De acordo com relatório do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos - CGEE, Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em 2015 (último relatório disponível) o Brasil possuía 543 programas de pós-graduação em SAÚDE, ou seja, cursos de formação de mestres e doutores. Naquele ano, foram formados 2.476 mestres em medicina, 1.086 em saúde coletiva, 1.006 em enfermagem, 988 em veterinária, 704 em farmácia, 280 em genética, 158 em farmacologia, 85 em imunologia. Formaram-se também em 2015, 1.507 doutores em medicina, 371 em veterinária, 310 em enfermagem, 310 em saúde coletiva, 253 em bioquímica, 209 em genética, 91 em farmacologia e 64 em imunologia, entre outros. Tenho certeza de que há conhecimento e inteligência suficiente embarcada no Brasil. Quando compartilhamos conhecimento enxergamos melhor a realidade e iluminamos o caminho. Que a ciência nos ajude.

Sou mestre e doutor em administração e sei das plenas dificuldades e dores da ciência brasileira que tem sido maltratada continuamente. Os problemas não são de hoje. Falta-nos muitas coisas. Ainda há muito que se rever no sistema como um todo. Quem irá se manifestar de forma ética, correta, verdadeira a respeito do problema? Aprendi na minha carreira que aqueles que possuem CONHECIMENTO são PRODUTORES. Quem é IGNORANTE (não conhece), é CONSUMIDOR. Sinto-me um consumidor desconfiado da qualidade do produto / serviço. Sigamos em frente. Fiquemos bem.


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