O que o espelho retrovisor pode nos ensinar sobre a crise?

Em tempos de crise aguda como a que estamos vivendo, tendemos a desejar que o futuro promissor aconteça amanhã. A pandemia tem nos causando desconforto, insegurança, e para alguns, bastante dor. No momento, atravessamos um túnel escuro sem muita visibilidade pelo caminho. Sem conhecermos o caminho e sós, como podemos nos guiar nessa jornada? Somos frágeis e não conhecemos as ameaças que nos esperam. Contudo, temos a nosso favor o passado, a experiência, o conhecimento tácito e explícito construído pela humanidade ao longo da história. Seria o momento de olharmos pelo retrovisor? Poderíamos aprender algo com o passado? Pois é, mas por que a tecnologia não

nos responde tudo automaticamente e sana a crise como um passe de mágica? Avançamos muito no desenvolvimento da ciência, de tecnologias materiais e imateriais. Não seria só apertar alguns botões e voilá? Pois é, parece que não é tão simples. Por um bom tempo, muitos foram os que anunciaram a iminência do mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo). Contudo, cá estamos nós no terreno movediço e lamacento dessa complexidade toda. Romperam-se as barragens da segurança e das certezas, literalmente. Mesmo diante da oportunidade do BIG DATA, sentimo-nos mal informados. Em qual fonte confiar? O mundo financeiro vira de cabeça para baixo. O perde-ganha se instala. Trabalho e emprego ficam embaralhados e novas cartas serão distribuídas. Atenção: nada é mais como antes. Um novo jogo se inicia. Que vença o melhor? Como assim? Será que as cartas foram bem embaralhadas? Quais as regras do jogo? Parece que elas mudaram recentemente. Ops. E a tecnologia digital que nos permite estar em todos os lugares ao mesmo tempo? Mas, #fique em casa! E aí? A propósito, qual o preço de estar sempre disponível, ao mesmo tempo em todos os lugares? Ah, e todo mundo junto: a desconhecida família. Misturam-se também tempo, espaço e ritmo em nossas vidas. Estávamos preparados para essa maratona? Alguém aí acredita que estamos trabalhando mais agora do que antes da pandemia?

E as redes sociais? Me bastam para estabelecer relações humanas reais? Li, há poucos dias, que uma socialite paulista encontra-se deprimida por não poder desfilar seus looks caríssimos em lugares reais para gerar impacto a seus seguidores. Peraí? Então a crise não escolhe classe socioeconômica, mesmo que o efeito seja distinto em cada indivíduo?

E a política, hein? Tem nos ajudado a resolver a crise? Parece-me que não. E não falo apenas de Brasil. Há muito tempo há indícios de que estamos sem timoneiros e sem líderes para conduzir qualquer que seja a dificuldade social, econômica e política. Não coloco aqui em xeque partido A ou B. Falo da instituição política como um todo. Na média, vai mal.

Por tudo isso, entendo que o espelho retrovisor possa nos dar pistas de como podemos aprender e mudar realmente nosso comportamento de competição para cooperação. De perde-ganha para ganha-ganha. Que saiamos mais fortes desse túnel escuro, entendendo que se nos dermos as mãos será mais seguro e fácil sairmos dele. Sem cooperação já era. É só mais do mesmo, a velha receita de tempos de crise. Menos julgamentos e mais EMPATIA. Cada um no seu projeto de vida enfrenta no HOJE a dificuldade com a sua LENTE de vida, abraçado na sua história, com suas fortalezas e fraquezas. Que possamos aprender com o passado para nos orgulharmos de que fomos inteligentes para vencermos mais essa batalha, JUNTOS. #fiquem bem.

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